Moradores se revoltam e agridem membro da gangue dos pipocas em Lafaiete

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Pipocas já foram detidos dezenas de vezes

Dois adolescentes, ao que tudo indica integrantes da chamado gangue dos pipocas, que vem assustando famílias e moradores do bairro São João, em Conselheiro Lafaiete, se deram mal na última investida. O episódio teria ocorrido no final da manhã desta segunda-feira 29/09.
Em entrevista ao site de notícias Fato Real, o presidente da associação de moradores do bairro, Manoel Vespúcio da Costa Vasconcelos, contou que dois membros do grupo, aparentemente o mais velho e o mais jovem – ambos adolescentes -, entraram na garagem de um morador da rua Libenitz dos Anjos, onde quebraram os vidros e arrancaram a placa de seu carro estacionado no local. O morador, ao flagrar a dupla em ação, chamou a polícia, que levou os dois menores outra vez à delegacia onde foi registrada a ocorrência.

Os adolescentes ficaram apreendidos até por volta de seis horas da tarde, quando foram liberados em cumprimento ao que determina a lei. Só que, ao vê-los de volta após o cometimento de mais uma infração, a comunidade das ruas Libenitz dos Anjos, Dona Miquita e adjacências, alvo preferencial das ações dos delinquentes, se revoltou e partiu para o contra-ataque.

Segundo Vespúcio, formou-se um grupo com cerca de 25 pessoas que saiu no encalço dos menores. Apenas um suposto pipoca foi encontrado e teve descarregada sobre si a indignação de dezenas de vítimas. “Temos a informação de que o pipoca mais velho, de 16 anos, apanhou muito e estaria internado. Se a polícia não tivesse chegado a tempo, talvez ele tivesse morrido. Vieram de três a quatro viaturas e a rua estava tomada de gente. A associação do bairro tem feito a sua parte no que tange a evitar a violência, mas chegamos a um ponto em que não há controle. Temos conversado com a comunidade, mas a verdade é que ninguém aguenta mais. Alertamos as autoridades do Executivo, Legislativo e Judiciário para que tomem providências antes que seja tarde e ocorra um linchamento”, afirmou Manoel Vespúcio.

Extraoficialmente, sabe-se que a polícia identificou e enquadrou um dos agressores por crime de lesão corporal. O menor, após receber cuidados médicos, foi novamente levado à delegacia; do lado de fora, uma multidão protestava exigindo das autoridades o acautelamento do adolescente.

O líder comunitário Manoel Vespúcio informou que o grupo dos pipocas tem cinco integrantes, alguns de uma mesma família. O irmão mais velho teria se desligado do grupo e estaria vivendo em casa de parentes na cidade de Cristiano Otoni. Nenhum deles frequenta a escola e os quatro passam o dia nas ruas atormentando os vizinhos: “Quando um filho de pessoas corretas, de famílias decentes, não vai à escola, o Conselho Tutelar logo vem repreender pai e mãe. A família dos pipocas tem uma menina de 13 anos que não está indo à escola. Tenho informações de que ela recebe bolsa família – o que é irregular – e o Conselho Tutelar não os incomoda”, desabafou o líder comunitário.
O caso está sim sendo acompanhado pelo Conselho Tutelar. A conselheira Rosária Maria Mota Alves recebeu nossa reportagem e disse que a atribuição do órgão é zelar pela garantia dos direitos dos menores e de sua integridade. A ajuda teria sido pedida pela família de um dos adolescentes (14 anos) assustado com a agressão sofrida pelo amigo: “Vamos tentar levá-lo para um lugar seguro. A gente sabe que a comunidade está revoltada. Depois que o amigo dele foi agredido ontem à noite, ele está com muito medo e se sente acuado. Depois, juntamente com a Promotoria de Justiça, tentaremos encontrar uma medida protetiva mais eficaz”.

Segundo Rosária, o Conselho Tutelar já vinha acompanhando, dentro do possível, os sinais de desajuste de comportamento apresentados pelos chamados pipocas, mas não teve acesso aos boletins de ocorrências dos atos infracionais porque não trabalha diretamente com questões criminais. Contudo, tem se mantido em contato constante com os pais dos menores e acompanha os adolescentes à delegacia na falta de um responsável legal para assisti-los: “Sabemos o que está acontecendo. A população do bairro sempre liga pra gente pedindo uma providência, mas o que podemos fazer, dentro do que é de competência do Conselho, é tentar orientar os adolescentes mesmo sabendo que isso não tem muita eficácia, porque eles não ouvem ninguém. Mas pedimos que a comunidade tenha paciência e entenda que agressão não vai resolver a situação”, afirmou a conselheira.

O Conselho Tutelar teria sugerido a matrícula dos meninos em creches e posteriormente em escolas desde que os pipocas estavam na faixa dos dois anos de idade, mas nunca obteve a concordância das famílias.

 

Texto e foto: Fato Real