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quinta-feira, 25 fevereiro 2021
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Diário da Covid-19: Brasil teve 51 mil mortes nos primeiros 51 dias de 2021

O Brasil ultrapassou 10 milhões de pessoas infectadas no dia 18 de fevereiro e somou 2,5 milhões de casos da covid-19 somente nos primeiros 51 dias de 2021 (média de 48,3 mil casos diários). Lamentavelmente, ainda registrou 51 mil vidas perdidas nos primeiros 51 dias de 2021 (o número exato foi 51.028 mortes, com média de 1.001 óbitos diários). No dia 10 de dezembro de 2020, o presidente Jair Bolsonaro teve a infeliz ideia de dizer que a pandemia da covid-19 estava “no finalzinho”. De fato, não foi uma boa ideia, pois nos últimos 51 dias de 2020 foram registrados 1,97 milhão de casos (média de 38,7 mil casos diários) e 32,1 mil mortes (média diária de 630 óbitos). Desta forma, infelizmente, os primeiros 51 dias de 2021 trouxeram notícias piores do que os últimos 51 dias de 2020. Definitivamente, o controle da pandemia não está nem estava no finalzinho.

Não precisava ser assim. Existem diversos países do mundo que conseguiram barrar a transmissão comunitária descontrolada do vírus e evitaram a sobrecarga do sistema de saúde. Mesmo os países que apresentaram um elevado surto em janeiro, já apresentam significativa queda em fevereiro. Como mostramos no Diário da Covid-19 do dia 14/02, aqui no # Colabora, o Brasil está na contramão da tendência de diminuição dos números globais da pandemia.

Embora o Brasil seja o 3º país em número acumulado de casos e o 2º país em número acumulado de mortes pela covid-19, até o dia 19 de fevereiro, vacinou apenas 3% da sua população, paralisou a aplicação de doses em várias cidades e está em 57º lugar no ranking global do percentual da população vacinada. Os melhores exemplos de sucesso são Israel e Gibraltar que já vacinaram mais de 80% da população. Outros destaques são Reino Unido (25,7%), EUA (17,8%) e Chile (12,4%). No mundo já foram aplicadas 200 milhões de doses. Os continentes com maior montante de casos e mortes são a América do Norte e a Europa, que são também os mais avançados na vacinação, como proporção da população, conforme mostra o gráfico abaixo. A Ásia, mesmo tendo países gigantescos como a Índia e a China – que são produtores de vacinas – estão atrás não só da Europa e da América do Norte, mas também da América do Sul. A África é o continente com menores proporções de vacinação (apenas 0,2%), mas também é o continente com menor quantidade de casos e de mortes pela covid-19. O Japão, que é um país rico e tecnologicamente avançado, ainda está em fase embrionária de vacinação, embora pretenda organizar os Jogos Olímpicos em meados de 2021.

O fato é que as vacinas contra o novo coronavírus são muito importantes para mitigar o impacto da pandemia, mas não são uma bala de prata, por três motivos. Primeiro, porque existem muitos interesses comerciais em jogo e o acesso aos imunizantes é muito desigual entre as nações. Segundo, porque o ritmo global da vacinação está muito lento (com exceção de meia dúzia de países pequenos que conseguiram organizar os estoques e planejar eficientemente a distribuição). Terceiro, porque a vacinação não exclui outras medidas de prevenção (uso de máscaras, higiene das mãos, distanciamento social etc.) e ainda não está claro como e quando se atingirá a imunidade de rebanho.

Além do mais, para os países que já perderam o controle sobre a transmissão comunitária do vírus, é praticamente impossível eliminar o SARS-CoV-2. Seria ótimo erradicar a covid-19, mas a experiência mostra que o único vírus erradicado no mundo até agora foi o da varíola, em 1980. O mais provável é que a covid-19 deixe de ser uma pandemia e se torne uma epidemia (ou até uma endemia), ou seja, uma doença administrável, como a gripe. A vacinação e os tratamentos médicos, certamente, vão reduzir a taxa de mortalidade. Mas, provavelmente, teremos de conviver com o vírus por longo tempo. Novas variantes do coronavírus devem exigir campanhas de vacinação e os cuidados de prevenção deverão fazer parte da rotina diária, assim como as medidas rígidas de segurança viraram padrão nos aeroportos após o 11 de setembro de 2001.

O panorama nacional:
O Brasil ultrapassou 10 milhões de casos da covid-19 e o Ministério da Saúde contabilizou 10.139.148 pessoas infectadas e 245.977 vidas perdidas no dia 20 de fevereiro de 2021, com uma taxa de letalidade de 2,4%.  O gráfico abaixo, mostra que o número de casos de covid-19 na 2ª onda se mantém em um platô mais elevado do que o da 1ª onda. O pico da 2ª onda ocorreu no dia 09 de janeiro de 2021, com a média móvel atingindo o recorde de 55 mil casos diários no dia 12/01. Os números continuaram acima de 50 mil casos em janeiro, mas diminuíram um pouco em fevereiro com média de 47 mil casos diários nos primeiros 20 dias de fevereiro.
O gráfico abaixo, mostra que o cume do número diário de óbitos da covid-19 da 2ª onda já é maior do que no pico da 1ª onda. No platô anterior, o Brasil manteve uma média de 1.001 mortes diárias nos 92 dias de junho a agosto de 2020. Uma média muito aproximada tem ocorrido nos primeiros 51 dias de 2021. A média móvel de 7 dias atingiu 1.064 mortes no dia 20 de fevereiro de 2021. A marca de 250 mil vidas perdidas deve ser alcançada até 25/02.



A covid-19 teve um impacto de US$ 24 trilhões no montante da dívida global

A pandemia do novo coronavírus é uma emergência sanitária que afetou a saúde da população mundial, já deixou mais de 111 milhões de pessoas doentes e já provocou a morte de quase 2,5 milhões de indivíduos. Mas ao mesmo tempo é uma emergência econômica, pois provocou a maior recessão do século, gerando redução da renda e aumento do desemprego, da pobreza e da fome. Para evitar uma catástrofe econômica ainda maior, os governos, as famílias e as empresas recorreram ao aumento de dívidas para enfrentar a situação econômica desfavorável.

Instituto de Finanças Internacionais (IIF), publicou, na semana passada, o monitor da dívida global mostrando que a pandemia da covid-19 acrescentou US$ 24 trilhões em 2020 ao montante da dívida global. O IIF estimou que os programas de apoio do governo foram responsáveis por metade do aumento, enquanto empresas globais, bancos e famílias adicionaram US$ 5,4 trilhões, US$ 3,9 trilhões e US$ 2,6 trilhões, respectivamente.

O IIF estima que o Produto Interno Bruto global foi de US$ 80 trilhões em 2020, enquanto a dívida global foi de US$ 281, representando 355% do PIB. Isso significou que a dívida global, como proporção do PIB, aumentou 35 pontos percentuais somente no ano passado em função da pandemia, conforme mostra o gráfico abaixo.

O alto endividamento global é um sinal de alerta para os limites das políticas fiscais de recuperação econômica. É claro que em meio à recessão e diante da alta ociosidade dos fatores de produção, o aumento do endividamento para enfrentar as emergências sociais e para estimular a retomada da economia e do emprego é um imperativo inquestionável. Mas existem gastos que dão bons resultados e gastos que dão péssimos resultados. Por conseguinte, o pacote fiscal de US$ 1,9 trilhão, do presidente Joe Biden, nos EUA, tem sido motivo de elogios, mas também de dúvidas sobre a capacidade da iniciativa de recuperar a economia sem gerar inflação, sem elevar os déficits gêmeos (fiscal e comercial) e sem comprometer a capacidade futura de investimentos e de elevação do bem-estar da sociedade.

No caso brasileiro há também muitas dúvidas sobre o estímulo fiscal do governo, pois o Brasil apresentou um déficit fiscal de R$ 743 bilhões em 2020 (10% do PIB), deve apresentar outro déficit elevado em 2021 (previsto para mais de R$ 250 bilhões) e a dívida pública bruta atingiu a casa dos 100% do PIB (um valor muito alto para qualquer país em desenvolvimento). Mas apesar de todo o gasto, a economia não se recuperou e o Brasil possui cerca de 30 milhões de pessoas desempregadas ou subutilizadas, como mostrei em entrevista publicada no boletim “FCS pensa a pandemia”, da faculdade de Comunicação Social, da UERJ. O certo é que existem muitas dúvidas sobre a temporalidade dos incentivos econômicos no controle dos efeitos da pandemia e sobre a retomada das atividades produtivas e da renda. As perspectivas imediatas não são boas porque os agentes econômicos, o poder político e a sociedade civil parecem caminhar em direções desencontradas, havendo pouca sinergia e muita heteronomia.

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