Abandono e descaso: Sítio Histórico da Varginha e Monumento de Tiradentes estão tomados pelo mato e alvo de vândalos

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Um atentado contra a história e descaso com a memória de Minas Gerais, quando no dia 2 de dezembro, o Estado de Minas Gerais completa 300 anos. Em 1720, foi criada a Capitania de Minas Gerais pelo rei de Portugal Dom João VI, separando então o território da Capitania de São Paulo e Minas do Ouro.

A região está ligada diretamente ao Movimento Revolucionária da Inconfidência Mineira como Lafaiete onde o Monumento de Tiradentes ou Estalagem da Varginha são testemunho vivo da façanha dos inconfidentes que rebelaram contra o quinto cobrado por Portugal pelo ouro.
Porém o símbolo, situado às margens da MG 129, na Estrada Real, na divisa entre Lafaiete e Ouro Branco, está se deteriorando no tempo sem qualquer proteção, alvo de vândalos e da ação do tempo.
Nossa reportagem esteve no local e presenciou a decadência do sítio histórico, tombado pelo IEPHA (Instituto do Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico), desde 21/4/1989.
O mato toma o local e a gameleira tricentenária conta com a sorte para permanecer de pé. A sinalização está totalmente apagada e marcos da Estrada Real são tomados pela mataria.
No dia 5 de maio, nossa reportagem denunciou em que vândalos e ladrões tomaram de assalto o Monumento de Tiradentes ou Estalagem da Varginha, No local, deparamos com um atentado histórico de grandes proporções. Muito mais roubo de placas, o furto atacou a história de Minas. Os ladrões arrancaram diversas placas de bronze afixadas no monumento onde está a perna de Tiradentes.
Até quando, vamos assistir nossa história sendo maltratada, aviltada?
Ação
O fotógrafo e ativista cultural, Célio do Santos, sensibilizado pelo abandono do sítio história, tomou a iniciativa de limpar o mato ao redor do marco da Estrada Rela e outras intervenções. “É um absurdo deixar este símbolo de Minas totalmente abandonado”, disparou.

Um pouco da história
As ruínas do Sítio da Varginha do Lourenço estão localizadas às margens da conhecida no período colonial como Caminho Novo e são tombadas pelo IEPHA (Instituto do Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico), desde 21/4/1989. O conjunto constitui-se das ruínas da antiga edificação denominada Estalagem da Varginha, uma gameleira centenária e outras instalações. A Estalagem, em 1788 foi palco de encontros de alguns dos inconfidentes que planejavam a independência do Brasil, o que justificou a exposição – embaixo de uma gameleira – de parte do corpo do único inconfidente condenado a morte – Joaquim José da Silva Xavier – o Tiradentes, em 1792.



Em 1950, a Estalagem foi demolida, restando apenas ruínas. Em 1989, foi erguido o monumento em pedra sabão em homenagem ao Bicentenário da Inconfidência Mineira, quando a Açominas encomendou a obrado artista plástico Raul Amarante Santiago.
O Monumento a Tiradentes é também conhecido popularmente como “perna do Tiradentes”. No local, há placa com o seguinte texto: “Esta Gameleira, em 1792, cobriu, com sua sombra amiga, parte do corpo esquaterjado de Tiradentes. Seu ideal de construir aqui uma fábrica de ferro está sendo realizado , hoje, pela Açominas, que incorporou à usina esta área, só Sítio da Varginha, por onde passava a Estrada Real, para sua preservação.”
As ruínas eram hospedaria famosa, onde Tiradentes pernoitou com os inconfidentes, tendo ali feito reuniões secretas. Foi propriedade do senhor João da Costa Rodrigues, casado, com dez filhos, morador da Varginha do Ouro Branco, Freguesia de Carijós, Comarca de Villa Rica, a oito léguas da mesma, e vivia do rendimento de uma taberna e de ter um rancho para recolher passageiro.
Sob a frondosa sombra da Gameleira, que conta mais de 300 anos, foi depositada uma parte esquartejada do corpo de Tiradentes em 1792. Há pouco tempo foi danificada por um raio, mas brotou vigorosamente e está se tornando novamente viçosa.