Trânsito de carretas revolta população de Piranga e moradores fazem abaixo assinados; “aqui está um inferno”, desabafa piranguense

Denúncias apontam que carretas, mesmo que vazias, cortam as ruas de Piranga após as 22:00/DIVULGAÇÃO

A revolta e indignação tomam conta da população de Piranga. Há cerca de 20 dias, carretas carregadas de minério, oriundas de Teixeiras, perto de Viçosa, tiram o sono e tranquilidade dos moradores. A situação vem deixando a cidade apavorada e insegura em função do poluição sonora e risco de destruição de imóveis e igrejas centenárias. “Aqui está um inferno”, relatou um morador a nossa reportagem, denunciando a situação do trânsito pesado que percorre as ruas estreitas passando perto de escola e hospital.

Insatisfeitos, diversos setores da comunidade promovem abaixo assinados para tentar junto aos órgãos públicos uma solução para falta de segurança dos moradores. A situação chegou ao limite que até mesmo a ASCOPI (Associação Comercial e Industrial de Piranga) também entrou no assunto para juntar forças com a comunidade. No abaixo assinado a entidade cobra do Prefeito José Carlos (PV) para coibir o tráfego de carretas na área urbana.

A intenção é entregar na Câmara Municipal as reivindicações da comunidade que integralmente desaprovam o trânsito pesado. Amanhã a partir das 17:00 horas, a Câmara deve estar lotada para a votação de um projeto polêmico de suplementação de uma verba de mais de R$140 mil para as obras de supostas melhorias em ruas centrais de Piranga. As intervenções Benedito Valadares e Rua do Marcado são duramente criticadas pela ASCOPI e por parte da comunidade, já que não resolveriam ou minimizariam o trânsito no centro da cidade.

Segundo informações o projeto deve ser rejeitado pela maioria dos vereadores.

Reunião

Na semana passada uma reunião entre a prefeitura, vereadores e representante da Mineradora Zona da Mata discutiram a situação do tráfego pesado onde foram tratadas medidas para diminuir o impacto na comunidade.

Prefeitura trabalha para construção de via alternativa que cortará a cidade/DIVULGAÇÃO

Dentre os vários assuntos que foram objeto de discussão e busca de soluções pelas partes, foram acordados os horários em que as carretas trafegariam para evitar horários de pico e maiores transtornos para a população piranguense, até que soluções mais efetivas sejam alcançadas. Pelo acordo, as carretas respeitariam o intervalo de 10 minutos e não passariam depois das 22:00 horas. Em uma das sugestões, a prefeitura aumentaria a fiscalização no cumprimento dos horários.

Mas a principal reivindicação é manutenção de um trecho que corta a cidade em um extensão de cerca de 13 km. Esta rota alternativa já existente necessita de alargamento e reforma para suportar o trânsito pesado e retiraria as carretas da área urbana. O investimento de R$250 mil seria custeado pela prefeitura, mineradora e uma pedreira. O acerto entre as partes na divisão dos custos ainda depende de nova rodada de negociação.

Denúncias e Lafaiete

Mesmo diante do acordo, fotos e vídeos que chegaram a nossa redação mostram carretas, algumas vazias, cortando a cidade após às 22 horas. O impacto das carretas não ultrapassa os limites de Piranga passando pela BR 482, em Itaverava e Lafaiete, quando os pesados cortam a região da Chapada.

Trânsitos de carretas já impactam em Lafaiete/REPRODUÇÃO

Protestos

A população da cidade de Teixeiras, na Zona da Mata mineira, e de mais oito municípios na região conseguiram uma vitória judicial. Uma Ação Civil Pública, construída pela Comissão Regional de Enfrentamento à Mineração de Magnetita, obteve uma liminar que determina que a mineradora Zona da Mata Mineração paralise suas atividades. A decisão tem até hoje (27) para ser cumprida.

Leia na íntegra o abaixo assinado da ASCOPI

“Ao Excelentíssimo Senhor Prefeito José Carlos de Oliveira Marques

A ASCOPI- Associação Com e Ind de Piranga em conjunto com os cidadãos piranguenses, abaixo-assinados, vêm solicitar que Vossa Excelência tome as providências cabíveis para coibir o tráfego de carretas dentro da cidade no intuito de prevenir maiores problemas como a destruição dos imóveis, com a segurança e com o respeito e perturbação ao sossego tendo em vista que o trânsito de carretas ocorre, também, durante a madrugada em frente inclusive ao Hospital, área que deve ser considerada de silêncio.

Firmamos, ainda, com esse abaixo assinado, que não concordamos com a obra da Rua Benedito Valadares e Rua do Marcado, conforme demonstrada na Audiência Pública, realizada na Câmara Municipal, pois não atende aos anseios da população, porque visa propiciar melhor trânsito das carretas, sem que nossa cidade tenha estrutura para passagem desse trânsito pesado. Haja que foram realizadas 2 audiências públicas com manifestação da população contrária a realização da obra, sem nenhuma resposta da prefeitura.

Desaprovamos a mesma, devido ao objetivo que é melhorar o tráfego de carretas. Há formas de melhoria do trânsito apenas com uma obra simples abrindo a esquina da Benedito Valadares com o Mercado sem o custo altíssimo e sem prejuízo de tempo elevado de obra gerando transtornos à toda população. Na forte convicção de sermos atendidos neste pleito, encaminhamos este documento assinados por membros da Associação Comercial e moradores da cidade”.

Veja o vídeo a seguir:

 

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