Pintura externa revela a beleza e a imponência do Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos

A luz do fim de tarde imprime ainda mais beleza ao Santuário Basílica do Senhor Bom Jesus de Matosinhos e aos 12 profetas esculpidos por Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (1738-1814) que levam visitantes brasileiros e estrangeiros a Congonhas. O tom quase dourado destaca a fachada do templo reconhecido como patrimônio cultural mundial, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e agora coberto de andaimes para nova etapa de restauração: a pintura externa, começando pelas torres.

De acordo com a direção do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a obra completa de restauração será entregue à população neste semestre.

A intervenção na fachada da basílica do século 18 está sendo custeada pela reitoria da Basílica do Senhor Bom Jesus com acompanhamento de técnicos do Iphan. O serviço de restauro marca os 280 anos de nascimento de Aleijadinho, considerado um dos maiores artistas da arte colonial brasileira, e também 80 anos de emancipação política do município. Já em 8 de setembro de 2019 serão lembradas oito décadas de tombamento pelo Iphan.

“Congonhas é testemunha e símbolo do Barroco mineiro e o Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, o maior conjunto de arte colonial do Brasil. Além do tombamento pelo Iphan, o santuário também é patrimônio cultural mundial. Então, é de grande importância retomar toda a imponência desse espaço. Trata-se de um trabalho de grande qualidade, rico em detalhes e que, mais uma vez, destaca Congonhas entre os municípios com melhor execução das obras do programa (Programa de Aceleração do Crescimento/PAC Cidades Históricas) em todo o país”, diz a presidente do Iphan, Kátia Bogéa.

Pintura revela a beleza da obra barroca

INVESTIMENTO O restauro interno (elementos artísticos integrados) tem recursos do governo federal. Os técnicos do Iphan informam que estão sendo investidos R$ 2,26 milhões, contemplando serviços nos 39 painéis (somando os da capela-mor, nave, coro e sacristia), balaustrada do coro e da nave, pilastras, pias, púlpitos, retábulos, arco do cruzeiro, forros, mesa do altar, Cruz Feliciano Mendes, entre outros.

A “cidade dos profetas”, como Congonhas é chamada, foi um dos municípios brasileiros contemplados no PAC Cidades Históricas, do governo federal, que já concluiu três outras obras no local: restauração da Igreja do Rosário, requalificação urbanística da Alameda Cidade Matosinhos de Portugal e Restauração da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, somando investimentos de mais de R$ 4,6 milhões na cidade.

Além das intervenções, também está em execução a implantação do Parque da Romaria e o restauro da basílica, sendo as duas integrantes do PAC, mas parte do Agora é Avançar – “projeto focado na retomada de obras em todo o país, que vem executando 61 obras destinadas ao desenvolvimento das cidades históricas brasileiras, realizadas pelo Ministério da Cultura, por meio do Iphan”.

EX-VOTO A trajetória da basílica trilha caminhos de fé e arte, representando, na verdade, um grande ex-voto, que é uma forma de pagar uma promessa por uma graça alcançada. Conta a história que, em 1757, o minerador português Feliciano Mendes, que chegara à região em busca de riquezas após cura de grave enfermidade, finca uma cruz no alto do Morro Maranhão. Com um oratório pendurado no pescoço, ele passa a esmolar para construir o templo em homenagem ao Bom Jesus. Nessa empreitada que dura alguns anos, os sucessores de Feliciano, que morreu em 1765, convocam Aleijadinho, responsável por obras-primas na cidade: os 12 profetas em pedra-sabão, no adro da basílica, e as 64 esculturas em tamanho natural representando os Passos da Paixão de Cristo. O local se torna alvo de peregrinação social, econômica e cultural.

ARTE E FÉ

»  1757 – Minerador português Feliciano Mendes chega à região, é curado de grave enfermidade e começa a esmolar para construção de templo dedicado ao Bom Jesus

»  1800 a 1805 – Antonio Francisco Lisboa esculpe os 12 profetas para o adro do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas

»  1939 – Em 8 de setembro, o conjunto do santuário é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)

»  1985 – Em 3 de dezembro, ocorre o reconhecimento como patrimônio cultural mundial, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco)

»  2015 – Iniciada a restauração dos elementos artísticos da basílica com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Cidades Históricas

»  2015 – Em 15 dezembro, é inaugurado o Museu de Congonhas, fruto da parceria entre a Unesco, o Iphan e a Prefeitura de Congonhas. Fica no entorno da basílica

Fonte: Estado de Minas

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