Noite de Jazz comandada pelo DJ Alfredo Ganime Jr. embalou público no Espaço Cultural Paulinho Demolidor

“Queluz,
formosa gleba onde

brotam à toa lírios alvos

e cravos e açucenas e camélias…

No ar, jazzbandeia um maxixe assanhado.”

 – trecho do poema “Jazz de banda”, escrito em 1926, por Henrique Wladimiro de Abreu (Poetas Queluzianos e Lafaietenses. Avelina Noronha, org.)

Comandando as picapes ao som do bom e velho vinil, o DJ Alfredo Ganime Jr

Um público seleto e qualificado (isso não é premissa) encarou o friozinho desse sábado (13) para prestigiar a 1ª Noite do Jazz realizada no Espaço Cultural Café e Arte Paulinho Demolidor, no bairro Gigante, em Lafaiete. Comandando as picapes ao som do bom e velho vinil, o DJ Alfredo Ganime Jr., filho do lendário radialista Alfredo Ganime, descortinou um rico painel desta manifestação musical afro-americana originária de comunidades de Nova Orleans, nos EUA, no século XIX e que ganhou o mundo.

Aliando um gabaritado acervo de vinis perpassando vários estilos e épocas do jazz, a um manejo sensível dessa discoteca, Ganime proporcionou uma noite muito sensível e de expressivo valor cultural aos presentes com o swing das Big bands e variantes desse estilo que, ao privilegiar a improvisação, coloca o espontâneo em seu devido lugar: lado a lado com a vida. Isso sem falar na harmonia entre música e ambiente, já que a sonoridade esteve atrelada ao acervo do Espaço Cultural; acervo este composto de radiolas, gramofones, máquinas de datilografar, telefones de gancho, mimeógrafos, abajures, luminárias… Objetos e objetivo em rara sintonia!

É fato que o tempo passa. Mas o que é bom, ao invés de desaparecer na moagem do tempo, vai se decantando para ressurgir num feliz sacolejo da sensibilidade. Ao contrário de sucessos natimortos que aparecem a cada semana, o jazz perdura ao se reinventar sempre e continua embalando e emocionando.

Como ocorre com a areia na ampulheta, é por essas e outras que Conselheiro Lafaiete parece estar mudando. Isso porque está havendo um encontro respeitoso e afetivo entre as gerações mais velhas com uma nova geração interessada e interessante. Não demora e a cidade ficará cara a cara consigo mesma. Oxalá!

  • Texto e fotos: Grupo Lesma

 

 

 

 

 

 

 

 

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