Lafaietenses esgotam estoque de combustíveis em menos de 6 horas; corrida desenfreada dividiu opiniões, provocou protestos e vereadores concordam que situação fragiliza as paralisações: “De que adiantou o movimento”, diz Pedro Américo

O Vereador Pedro Américo cobrou postura de apoio ao movimento dos caminhoneiros/ CORREIO DE MINAS

Ontem, dia 29, os militares do 31º Batalhão de Polícia Militar promoveram a escolta de 4 caminhões de combustíveis para atender 6 postos mantendo a garantia de segurança no abastecimento básico de Lafaiete. A decisão partiu de uma reunião realizada no dia anterior com 15 empresários do setor. O acordo previa 20 litros para veículos e 10 litros para motos, garantindo a prioridade para ambulâncias, proibindo o uso de galões aos motoristas.

Logo cedo os motoristas se aglomeravam em alguns postos como praça da Bandeira, Rochedo e Gigante formando longas filas em busca abastecimento. Eram por volta das 17:20 horas quando chegaram os estoques de combustíveis e por volta das 12:00 horas já não havia mais produtos nos postos.

A corrida desenfreada provocou polêmica e protestos nas redes sócias, já que, se por um lado, era alívio para os lafaietenses, por outro era vista como uma afronta aos objetivos do movimento dos caminhoneiros na pressão pela queda dos preços dos combustíveis. “Se você paga R$5,00 amanhã paga R$10,00”, diziam os manifestantes com cartazes e apitos em um corredor formado antes das bombas de um posto. Os protestos foram pacíficos sem a interferência policial que acompanhou de perto as movimentações.

Na Câmara

As discussões das redes sociais e dos lafaitenses ecoaram a Casa legislativa ontem a noite. Em um tom mais ideológico, Chico Paulo (PT) atribuiu a Governo Temer as mazelas do desabastecimento. “Isso é culpa do golpe”, apontou.

Já Pedro Américo (PT) disse que o povo paga caro pelos combustíveis e que o país perdeu o controle. “A população tinha que fazer a sua parte e não pagar pelos preços dos combustíveis. Pouco adiantou o movimento dos caminhoneiros”, assinalou.

 Vereador chama postura de individualismo e corrida aos postos

 

Vereador João Paulo fez um duro discurso em que expressou descontentamento com a atitude de lafaietenses que correram aos postos para abastecer seus veículos/CORREIO DE MINAS

O vereador João Paulo Pé Quente (DEM) criticou a coberta da mídia nacional ao jogar a população contra o movimento legítimo da categoria. “Os meios de comunicação mostram cenas de falta de medicamentos e leitos diante das manifestações. Mas isso é uma rotina não de agora, mas diária. Na verdade nós que vamos pagar por toda esta situação”, comentou.

Ele concordou que a corrida aos poucos enfraqueceu o movimento. “De que adiantou este sacrifício todo quando as pessoas assumem atitudes individualistas de resolverem a situação levando em consideração sua própria condição esquecendo o coletivo? O que gente observa é que as pessoas apoiam o movimento mas é só chegar combustível na cidade que vão aos postos em uma total contradição ao que pregam apenas pensado em si próprias. As pessoas só querem levar vantagens”, observou. Para ele, as eleições serão momento oportuno de expressar as mudanças. “Nas eleições que vamos escolher o melhor para o país”, disse opinando de quem votou a Dilma escolheu também o atual presidente. Pé Quente defendeu a imediata retomada do transporte público.

Confira o vídeo de protestos em posto:

Publicado por Tadeu Melo em Terça-feira, 29 de maio de 2018

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