Lafaiete e Congonhas: familiares de trabalhadores relatam o drama, a dor e a expectativa de reencontrar desaparecidos

Hoje se completam dois dias da tragédia do rompimento da barragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho. No momento, já foram confirmadas 34 mortes,resgatadas 366 pessoas (221 são funcionárias da Vale e 145 terceirizados), das quais 23 estão hospitalizadas. Ainda há 287 desaparecidos, de acordo com a Vale. Após a suspensão, as buscas pelos bombeiros iniciaram agora às 15:00 horas.

O maquinista lafaietense Anderson Silva que completou 43 anos 3 dias antes da tragédia

A região

Diferente de Mariana, os rejeitos encobriram em mais de 8 metros as casas. As buscas por desaparecidos e corpos estão mais difíceis em Brumadinho  colocando inúmeros desafios aos bombeiros.

O número de desaparecidos de trabalhadores de Lafaiete e Congonhas chega a 10. Ontem foi confirmada a morte de Jonatas Limas Nascimento. Seu sepultamento aconteceu hoje às 11:00 horas no cemitério em Congonhas. Nossa reportagem ouviu familiares de trabalhadores em que relatam o drama, o desespero e a expectativa de encontrar os desaparecidos.

Pedro Sena é supervisora da terceirizada Reframax

A falta de informação angustia os familiares das vítimas neste momento de dor e incerteza. Quando ocorreu o rompimento, o maquinista lafaietense, Anderson Luiz da Silva, 43 anos, morador do Museu, estava cobrindo folga.  Segundo familiares, os bombeiros conseguiram chegar o maquinário que estava sendo carregado durante o rompimento. Ele e mais 3 funcionários da MRS se esconderam dentro de uma cabine blindada da locomotiva para fugir da lama. Eles preparavam para carregamento o pátio e iriam transportar o minério ao porto via Ferrovia do Aço.

A família aguarda ansiosa pelo retorno de Anderson ao convívio familiar. “Temos muita fé que ele volte”, relatou uma sobrinha a nossa reportagem. Anderson fez aniversário no dia 22 janeiro e preparava para este fim de semana uma festa com amigos.

Outro lafaietense desaparecido é Pedro Silva. Ele é casado, 47 anos, pai de 3 filhos e mora no Bairro Siderúrgico. Ele é supervisor da terceirizada Reframax. Muito abatida, a esposa de Pedro viajou a Brumadinho em busca de informações mais esclarecedoras que possam tranquilizar a família.

Nas redes sociais, Érika Almeida, prima de Felipe José de Oliveira,  fez um desabafo da falta de informações. “Onde está o Felipe? O Felipe está no grito dos familiares pelo CRIME que sorrateiramente recebe o nome de desastre-acidente! Não foi acidente, foi CRIME!!! Onde está o Felipe? Está no ABANDONO das famílias que sofrem. Meus primos e tio estão sem nenhum respaldo da Vale, estão sozinhos, sem assistência aos familiares nesse momento de dor. A Vale só fala com a imprensa. Parece um pesadelo, e é! Onde está o Felipe? Ele está no grito que sangra porque a garganta sabe que não adianta gritar”, afirmou angustiada Érika..

Congonhas

Luiz Carlos é mecânico e iniciou seu trabalho no dia do rompimento

Anny Roberta é esposa do congonhense Luiz Carlos Silva Reis, de 42 anos. Há 16 anos, ele é mecânico da Sotreq, empresa terceirizada. Pai de um filho de 5 anos, segundo Anny, Luiz começou a trabalhar em Brumadinho no dia da tragédia. “Fiquei sabendo pela TV. Uma hora antes eu falei com ele pelo telefone. Depois do ocorrido seu celular parou de funcionar. Acreditamos em Deus que volta para sua casa com vida. Temos muito poucas informações, mas passamos por um sofrimento sem fim e uma ansiedade incontrolável”, comentou Anny.

Morador de Joaquim Murtinho, em Congonhas, família de Roadney está em Brumadinho

Roadney Oliveira, 27 anos, mora no Distrito de Joaquim Murtinho, em Congonhas. Casado, há um ano é mecânico da Sotreq e também amigo do desaparecido congonhense Luiz Carlos. Gilberto Júnior, irmão de Roadney, falou a nossa reportagem ontem a noite quando ele e sua família estavam em Brumadinho acompanhando as buscas.  “O que nos aflige aqui é esta lista que a Vale divulga, quase mata a gente de dor e ansiedade por informação de meu irmão. Nossa esperança nos enche de vida que os bombeiros vão encontrar Roadney. Temos muita fé”, relatou Gilberto.

Números

Já são 10, o número de desaparecidos da região no rompimento da barragem em Brumadinho. Pedro Sena, o maquinista Anderson Luiz da Silva, Felipe José de Oliveira Almeida e Edson Rodrigues dos Santos.

Em Congonhas: Josiane Santos, Edymayra  Coelho, Miramar Antônio, Rodney Oliveira, Luiz Carlos da Silva Reis e Wanderson  Oliveira Valeriano. Desde a tragédia, amigos e familiares usam as redes socais para buscar informações.

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