Jogo de cintura – 14 anos sem Padre Ermano

Pe. Ermano, 14 anos!

Tempus fulgit! Axioma latino para expressar a celeridade como o tempo corre e corre veloz, como se já não bastasse correr, mas ainda tem que ser veloz. Neste último dia 01 de fevereiro celebramos os quatorze anos de falecimento de nosso saudoso Pe. Ermano José Ferreira. Muitas lembranças, muitas risadas, algumas dificuldades, mas sempre no coração a presença ímpar e engraçada de um home que aprendeu em meio às agruras da vida a dar boas risadas de si e dos outros. Quantas e quantas vezes eu não fui à casa paroquial do São Sebastião conversar com ele, bater um bom papo, com a certeza de muitas risadas garantidas. Era um exímio imitador das pessoas. Um grande contador de causos. Suas histórias eram formidáveis. Encenava conversas entre ele e outros padres, entre ele e outros bispos, de modo especial seus queridos e amados bispos com os quais conviveu. Muito engraçado tudo. E muito engraçado em tudo o que fazia. Quem o conheceu, certamente terá sido contagiado pela sua presença jocosa e benfazeja. Era um festeiro ambulante. Para além de encenações, ele gostava de falar com todo o seu corpo. Mãos enormes, coração grande. Sensibilidade à flor da pele. Teve alguns dissabores, algumas frustrações em sua vida de padre. Quem não as tem? Soube superar as dores e suportar as incompreensões. Aceitou com serenidade os desafios. Seu mês de maio era tão particularmente seu, quanto suas crianças que o acompanhavam no telefonema para o céu, durante as coroações, para falar com Maria, nossa mãezinha querida e a mãe de Jesus. Somente ele o fazia e somente ele sabia fazer do seu jeito e da sua maneira. Não era tão simples quanto pudesse parecer! Precisava de talentos. E ele os tinha de sobra. Participar com ele dos encontros do clero era certeza da piada pronta, do causo extravagante e dos repuxados da face e das caretas que fazia maravilhosamente bem, nas encenações de suas conversas com seus interlocutores. Era um artista, que não encenava, vivia seu papel de pai, de padre, de amigo, de conselheiro, de pastor zeloso que confortava e acolhia a porção do rebanho do Senhor que lhe fora confiado. Muitas pessoas ficaram marcadas na cidade pelo seu carisma e pela sua presença. Não era como alguns chegaram a pensar algumas vezes. Era na verdade um grande sacerdote e um homem de Deus. Sua morte trouxe para todos nós um susto e uma perda quase irreparável. Ninguém será como ele. Ninguém vai superar suas qualidades e virtudes. Ninguém vai, sequer, conseguir chegar-lhe aos pés. Deus o recompense pelo bem que fez entre nós. A resposta de sua presença marcante na sociedade de Conselheiro Lafaiete veio na multidão que acompanhou seu consagrado corpo até o Cemitério N. Sra. da Conceição. O tamanho do sentimento de sua perda veio no choro incontrolável de Dom Luciano, quando tivemos que autorizar sua exumação, sob queixa havida na delegacia. Ali naquele choro de Dom Luciano pude entender quanto um padre, independente de quem seja, é importante para um Bispo que conhece seus colaboradores mais diretos. Obrigado, Pe. Ermano, pelo bem que fez a todos nós. Que não nos esqueçamos nunca da sua alegria que foi marca perene de sua existência. Deus o recompense! Requiescat in pace!

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