Garimpando – Uma rua encantada e seu passado – 3

Conta por onde andou: por S. José do Rio das Mortes, pelo Registro Velho, pelo Campo Alegre dos Carijós, pelas Bananeiras, pela Borda do Campo. Em toda a parte — grande entusiasmo pela revolução ! Como que todo o mundo está compreendendo a necessidade de tornar-se o Brasil independente ! (Sobre Tiradentes) História de Tiradentes de Viriato Corrêa.

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Importantes notícias da região da Santa Matilde no passado vêm da história da Inconfidência Mineira: […] em Bananeiras, no sítio de João Dias da Motta, vinha o alferes revoltoso fazendo a propaganda às escancaras, sem o menor disfarce ou cuidado.”

Vou transcrever alguma coisa que aparece no Google.  Exagero com as transcrições, mas tenho, com isto, o objetivo de documentar o mais amplamente possível a participação da região da Santa Matilde na Inconfidência Mineira com as conversas na Estalagem das Bananeiras, onde Tiradentes sempre pregava, entusiasmado e corajosamente, as suas idéias.

No livro História da Conjuração Mineira, página 51 – MultiAjuda V (não sei porque na fonte consultada não consta o autor), selecionei:

“No sítio das Bananeiras descansou o Tiradentes à sombra das árvores deitado negligentemente em uma esteira. Aí o foi encontrar o capitão João Dias da Mota, levado pela sua má estrela; e como se o malfazejo gênio tomara a figura do alferes, as suas palavras eram de perdição para aqueles que as ouviam! Declarou-lhe o alferes positivamente que vinha para o Rio de Janeiro tratar do levante por causa da derrama. Perguntou-lhe o capitão enquanto montaria a capitação. Respondeu o alferes que em cem arrobas para a Fazenda Real, cabendo oito oitavas a cada pessoa por ano. Voltou-lhe o capitão que não havia remédio senão pagar-se, e o Tiradentes erguendo-se furioso, calçou as botas, e declarou que não se pagaria por que tinham os mineiros por si pessoas muito grandes para se levantar e proclamar a república. Vendo-o o capitão tão inflamado, com os olhos injetados de sangue, e as faces afogueadas, procurou acalmá-lo, ponderando que o estabelecimento da república não seria mau, mas que nem se meteria nisso, nem queria falar ou saber de semelhante projeto.”

Vejam os leitores que relato bonito trazendo tão viva a memória do herói. Eu, que gosto de imaginar, vejo direitinho a cena, como se estivesse lá. Já li muita coisa sobre Tiradentes, mas como esse pequeno trecho… Senti estar presente naquele lugar, vendo Tiradentes em corpo, alma e temperamento…

Nas   “Apostilas de História do Brasil/15 40   –   Fragmentos georreferenciados” …wikiurbs.info/mediawiki” também encontramos:

“Pelo caminho, nos sítios por onde ia passando, em Varginha, perto de Queluz, na estalagem de João da Costa Rodrigues; em Bananeiras, no sítio de João Dias da Motta, vinha o alferes revoltoso fazendo a propaganda às escancaras, sem o menor disfarce ou cuidado.”

Nos “Autos de Devassa da Inconfidência Mineira” no Capítuçlo XI, está o seguinte: 

“ Testemunha 13°

João Dias da Mota, Capitão do Regimento de Cavalaria Auxiliar da Vila de São José, no Rio das Mortes, natural desta Vila Rica do Ouro Preto, Bispado de Mariana, morador no Engenho do Campo, que vive de roça, de idade de quarenta e seis anos, testemunha a quem ele dito Ministro deferiu o juramento dos Santos Evangelhos em um livro deles, em que pôs sua mão direita, subcargo do qual lhe encarregou dissesse a verdade do que soubesse e lhe fosse perguntado, o que assim prometeu fazer como lhe era encarregado. E perguntado ele, testemunha, pelo conteúdo no Auto desta Devassa que todo lhe foi lido, disse que vindo em certa ocasião da sua fazenda para São Bartolomeu, em dias de março do corrente ano, encontrara nas Bananeiras, caminho do Rio de Janeiro, ao Alferes do Regimento Pago desta Capital, Joaquim José da Silva, por alcunha o Tiradentes; e sucedendo descansar, por causa do muito calor, no mesmo rancho em que o dito Alferes, este lhe disse: “Pois Vossa Mercê não sabe ainda o que vai de novidade?” E respondendo-lhe ele, testemunha, que não, continuou aquele: “que já se tinha deitado a derrama e que cabia a pagar oito oitavas de ouro por cabeça”. Ao que lhe respondeu ele, testemunha: “E que remédio senão pagar? Quem tiver dinheiro, muito bem. E quem não o tiver, pagará com os bens ou fazendas que possuir.” A esta resposta, replicou o dito Alferes: — “Qual pagar! Vossa Mercê não sabe o que vai? Pois está para haver um levante tanto nesta Capitania, como nas do Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco, Pará, Mato Grosso etc. E já temos a nosso favor França e Inglaterra, que há de mandar naus.” O que ouvindo ele, testemunha, absorto do que escutava, lhe perguntou: “Pois quem tem Vossa Mercê para esse levante?” Ao que lhe respondeu o mesmo Alferes: “Temos pessoa muito grande!” E instando ele, testemunha, por que lhe declarasse quem era, não foi possível tirar-lhe mais do que: — “que era uma pessoa muito grande, e que a seu tempo o saberia”. E refletindo-lhe no perigo que corria em tratar de semelhante matéria, e que não falasse em tal, lhe respondeu mais o dito Alferes: — “Pois que tem? Que tem? Prenderem-me? Pois se me prenderem, alguém me soltará.” Que tinha achado muito pusilânimes os filhos de Minas; e que estavam a atuar quatro Ministros, sem os quais se podia passar. E com estas razões se despediram, e ele, testemunha, seguiu seu caminho.”

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