Garimpando: Notícias de Conselheiro Lafaiete – 35

                        GARIMPANDO NO ARQUIVO JAIR NORONHA

Avelina Maria Noronha de Almeida

avelinaconselheirolafaiete@gmail.com

 

MOVIMENTOS MIGRATÓRIOS EM NOSSA HISTÓRIA

EM FINS DO SÉCULO XVIII E NO SÉCULO XIX

 

Foram várias aas famílias de nossa terra que, na época final do Arraial de  Carijós e início da Real Villa de Queluz tomaram o caminho do sertão e ajudaram a povoar um vasto território de Minas, atingindo também São Paulo e Goiás.

 

 

A imagem acima é, de Luis Caetano de Miranda, uma Carta Geográfica da Capitania de Minas Gerais em 1804. Reprodução de Carlos Cunha Corrêa.

 

Neste mapa a passagem do Piraquara está próxima à Fazenda Santa Fé, do Capitão Amaro da Costa Guimarães (assinalado no mapa), o primeiro fazendeiro da região de Dores do Indaiá.

 

 

Fazenda Santa Fé/Imagem da Internet

 

 

E ONDE NASCEU O CAPITÃO AMARO DA COSTA GUIMARÃES, PRIMEIRO FAZENDEIRO DE DORES DE INDAIÁ?

 

EM SANTO AMARO, ATUAL QUELUZITO,  em 19 de jan de 1745, filho de Jerônimo da Costa Guimarães e Damiana Roza da Costa Guimarães,  neto de Manoel de Azevedo Pereira Brãndão, do nosso povoado de São Gonçalo do Brandão. Devido à decadência do ouro, os irmãos COSTA GUIMARÃES, que eram mineradores em Itaverava, tomaram o rumo do sertão.

        Vejam que extenso caminho foi percorrido naquele tempo histórico, levando o nosso valor humano para se unir ao valor de uma nova terra:

DE ITAVERA

E DE SÃO GONÇALO DO BRANDÃO

A PITANGUI

Imagens da Internet

Amaro deixou seus pais no arraial de Carijós e foi para Pitangui, chamando, em seguida, seus irmãos que, mais tarde, requereram sesmarias no termo de Pitangui, numa área que corresponde às terras dos municípios de Dores do Indaiá, Estrela do Indaiá e Serra da Saudade, dedicando-se à criação de gado. Foram pioneiros e grandes desbravadores da região. Amaro, de acordo com um documento, “tinha avultada criação de gado vacum e cavalar, sendo o primeiro povoador daquele sertão.”

O tempo foi passando e novos problemas surgiram que provocaram a saída de pessoas do arraial de Carijós, de modo especial a decadência do Ciclo do Ouro. Foi aí que aconteceu a Derrama.

 

Imagem da Internet

 

A  grande exploração do ouro fez com que o precioso metal começasse  a diminuir nas minas, porém a Coroa não diminuía as cobranças. Nesta época, Portugal criou a Derrama que consistia no seguinte: cada região de exploração de ouro tinha de pagar 100 arrobas de ouro (1500 quilos) por ano para a metrópole.

Se não conseguissem pagar,  soldados da coroa retiravam das casas os pertences até completar o valor que seus moradores deviam.

Imagem da Internet

 

Uma das soluções era procurar outras terras. Mas veio o Movimento da Inconfidência Mineira. E uma outra causa da migração foi o fracasso do  movimento, que teve presença muito forte em Queluz, ficando uma situação perigosa para os parentes dos conjurados, com hostilidades, discriminações, perseguições  e sequestro de bens.

De acordo com Carrato, depois da Inconfidência Mineira  houve uma verdadeira diáspora em Minas, espalhando-se um grande número de pessoas das regiões auríferas, em migrações internas, para os extremos da Capitania (CARRATO, J.F., 1968; 218).

Isso aconteceu de maneira muito forte em Conselheiro Lafaiete, após a prisão dos inconfidentes, porque Tiradentes tinha familiares residentes no local, o mesmo acontecendo com Pe. Manoel Rodrigues da Costa, que se declarou nascido em Carijós nos Autos da Devassa. Assim levas de parentes dos envolvidos com o movimento foram embora para outros locais.

(Continua)

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