Garimpando: Notícias de Conselheiro Lafaiete – 31

GARIMPANDO NO ARQUIVO JAIR NORONHA

Avelina Maria Noronha de Almeida

avelinaconselheirolafaiete@gmail.com

                               NOTÍCIAS DE CONSELHEIRO LAFAIETE – 31

            As colchas bordadas de Castelo Branco são famosas além  das fronteiras portuguesas. Elas têm características que as tornam especiais na encantadora arte de bordar.

 

No artigo anterior, FRANCISCO DE PAULA FERREIRA REZENDE, que foi juiz municipal de órfãos do termo de Queluz, para onde veio em 1857, em seu excelente livro MINHAS RECORDAÇÕES fala sobre as Colchas feitas em São Gonçalo.  De acordo com um historiador queluziano, essas colchas de São Gonçalo eram semelhantes às famosa colchas de Castelo Branco, uma freguesia portuguesa. Achei interessante, assim, mostrar alguma coisa sobre as colchas de Castelo Branco.

Há muitas pessoas de Carujós que vieram de Castelo Branco, Viseu ou de freguesinhas vizinhas e devem ter trazido  de lá esta maravilhosa arte.

OBSERVAÇÃO: Todas as imagens deste artigo são da Internet.

 

 

Castelo Branco

Castelo Branco, de acordo com a tradição, foi fundada pelos Templários,  que teriam erigido o castelo e as muralhas entre 1214 e 1230. Os Templários eram uma ordem formada por monges cavaleiros para proteger Jerusalém depois que conquistaram a cidade, no século XII, pelas Cruzadas. Em Castelo Branco havia muita riqueza dos mercadores que lá habitaram.

Templários

As Cruzadas eram expedições que as potências cristãs europeias organizaram  para tirar a região do domínio muçulmano.

As Cruzadas

As colchas bordadas de Castelo Branco são famosas além  das fronteiras portuguesas. Elas têm características que as tornam especiais na encantadora arte de bordar.

Os bordados são feitos com fio de seda sobre linho. Diversos os pontos são usados, porém o mais característico é o “ponto largo” “ponto a frouxo”, também conhecido por ”ponto de Castelo Branco”. É mais econômico porque é um ponto mais comprido. Na imagem abaixo está um trabalho em que predomina o ponto frouxo.

É interessante que existem as colchas populares ou rústicas, que eram feitas pelas mulheres do povo, geralmente as mulheres do meio rural, de desenho mais ingênuo,  e as colchas eruditas, mais elaboradas para a classe social nobre e mais culta. Os desenhos destas últimas têm motivos trazidos do Oriente pelos portugueses durante a época dos Descobrimentos, mas também podemos encontrar muitas referências ao quotidiano, à fauna e flora locais.

Geralmente as mais populares,”tinham um destino curto, eram usadas no dia do noivado na cama dos noivos (…), eram as colchas de noivar se devem considerar por isso.” (Chaves, 1974:17). “Daqui podemos depreender que estas colchas eram uma importante peça do enxoval da noiva. As colchas de noivar são mais estreitas que as colchas eruditas, sendo também mais pobres quer na qualidade do linho, quer no seu desenho, o qual era mais ingénuo e menos elaborado. Quanto às colchas eruditas, estas foram inspiradas em colchas vindas do oriente (India e China), podendo ser classificadas como obras-primas da arte do bordado.”

Ainda sobre as colchas populares, em algumas localidades continuam a fazer parte do enxoval da noiva, apresentadas no dia do casamento, quando as casas dos noivos  são mostradas por eles aos convidados.

Para concluir, algumas fotos de belas Colchas de Castelo Branco:

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