Garimpando: Notícias de Conselheiro Lafaiete – 29

                    GARIMPANDO NO ARQUIVO JAIR NORONHA

                                        Avelina Maria Noronha de Almeida

                                                avelinaconselheirolafaiete@gmail.com

NOTÍCIAS DE CONSELHEIRO LAFAIETE – 29

                                                                               Avelina Maria Noronha de Almeida

                                                                                    CÔNEGO LUIZ VIEIRA DA SILVA

 O historiador Eduardo Frieiro o considerava o mais

Brilhante dos oradores das Minas Gerais.

 

Imagem da Internet

Ainda falando dos acontecimentos em final do século XVIII com a Inconfidência Mineira, o ilustre focalizado é o Cônego Luiz Vieira.da Silva. Ele nasceu na Fazenda do Guido, em Queluz, tendo sido batizado no dia 20 de fevereiro de 1735, e era filho do Alferes Luiz Vieira Passos e de Josefa Maria do Espírito Santo. Faleceu em Parati, em 1809.

Graduou-se em Filosofia e Teologia em 1757, em São Paulo. Regressando a Mariana, desde antes de ser ordenado foi, naquela cidade, professor de Filosofia no Seminário por 32 anos, até ser preso em 1789 como participante do movimento libertário da Inconfidência.

Imagem da Internet

Nessa época, formou o acervo de sua enorme biblioteca, admirada não só por sua dimensão mas, também, por sua composição, abrangendo todos os ramos do conhecimento, com livros de ciências atualizados e idéias novas, como bom iluminista que era. Não era rico, mas possuía, nessa extraordinária biblioteca, considerada o maior acervo de livros no Brasil, , mais de oitocentos volumes, o que era incomun naquela época, muitos entrados clandestinamente no País pois eram obras proibidas. Quase a metade delas estava escrita em latim, cerca de noventa em francês, trinta em português, vinte e quatro em inglês e algumas em italiano e espanhol. Isto demonstra que o cônego era também poliglota.

De inteligência privilegiada e brilhante, filósofo, historiador, orador famoso, sonhou sempre com um Brasil livre, com segurança política, sem as amarras do colonialismo e do neomercantilismo, elaborando uma constituição da república brasileira segundo as idéias iluministas e influenciado pelo processo de Independência dos Estados Unidos.

Era tão excelente orador que, pela força de sua palavra,  sempre era escolhido para falar nas ocasiões solenes ou importantes. Usava de inteligente estratégia retórica, reforçando a imaginária do ouvinte com figuras e exemplos. Com isso tornou-se um líder intelectual e granjeou muita admiração e respeito dos seus contemporâneos; considerado  “o mais instruído e eloquente de todos os conjurados”. Teve, assim, o seu lugar bem demarcado na história de Minas Gerais e do Brasil Colônia.

É por muitos considerado o maior ideólogo, o mentor da Inconfidência Mineira, tendo  a primazia na organização da conspiração. Em 22 de junho de 1789, aos 54 anos de idade, foi preso, depois de julgado setenciado a degredo perpétuo na Ilha de São Tomé, na Fortaleza de São Julião da Barra, por quatro, anos e depois recolhido ao Convento de São Francisco da Cidade, onde permaneceu durante seis anos.

Muitos não sabem, por exemplo, que o inconfidente Cônego Luiz Vieira da Silva é também queluziano. Talvez a causa seja a polêmica: a qual município pertenceria a Fazenda do Guido, onde nasceu aquele que foi um dos principais articuladores do movimento da Inconfidência. Seu registro de nascimento traz Congonhas. Ele é considerado também como de Ouro Branco. Eu coloquei queluziano. Como se explica?

Na verdade, creio que se poderá considerar os três lugares, compartilhando-os amigavelmente as três cidades: REGISTRADO EM CONGONHAS, NUMA FAZENDA QUE ESTARIA EM LUGAR CONSIDERADO DE OURO BRANCO. ISTO NA ÉPOCA EM QUE ELE NASCEU… Mas vejam que interessante o que achei e que me leva a escrever E FINALMENTE QUELUZ.

Pesquisando, na Internet, sobre a genealogia Vieira, casualmente deparei-me com uma lei que me leva a escrever sobre o assunto, a qual define a localização da referida fazenda e que aqui transcrevo de acordo com a ortografia da época. Diz o Art. 9°, § 4°, da Lei 533 de 10 de outubro de 1851 da Assembleia Legislativa Mineira, aprovado pela Presidência da Província de Minas Gerais:

“Ficão pertencendo: […] ao Município de Queluz, a fazenda denominada – Guido – que  outr’ora foi de Manoel Lobo Leite Pereira, e o territorio denominado – Passagem do Ouro Branco – , que já pertence à Freguezia de Queluz.

Para terminar a apresentação do Inconfidente:

Foi dito sobre Cônego Vieira que era “a maior figura intelectual de Minas no século dezoito”, “o mais instruído e eloquente de todos os conjurados”.

Existe, no bairro Fonte Grande de nossa cidade, uma rua com seu nome: RUA CÔNEGO VIEIRA. Merecida homenagem!

 

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