Fazenda do Alto Maranhão está se tornando modelo de propriedade autossustentável

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A parceria da Prefeitura de Congonhas com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (EMATER-MG), por meio de convênio, tem contribuído muito no desenvolvimento do setor agrícola do Município e até da região. Como resultado, tem aumentado a renda do produtor rural e a geração de emprego no campo, como a quantidade e qualidade os alimentos ofertados para toda a população das cidades da região. Este trabalho da EMATER, desenvolvido em conjunto com a Diretoria de Desenvolvimento Rural, vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Tecnologia da Prefeitura, está sempre se renovando, para

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acompanhar os avanços do setor agropecuário. Quando o produtor rural também está conectado com os avanços tecnológicos, podem surgir experiências exitosas como a da Fazenda Paraíso dos Profetas, no Alto Maranhão, de propriedade do casal Wagner Henriques Xavier e Heloiza Maria Pedrosa de Resende, que está se transformando em um modelo autossustentável a ser seguido.

Em 2006, quando o escritório da EMATER de Congonhas ministrava um treinamento para pequenos produtores no salão comunitário do Alto Maranhão, Wagner, empresário do ramo de combustíveis, chegou ao local para pedir orientações para tocar a  propriedade rural que

acabara de adquirir naquele Distrito de Congonhas. Na fazenda, havia curral e uma casa de pau-a-pique, ambos em péssimas condições de uso, pastagem cheia de cupim e voçoroca,e pouca água e contaminada. O proprietário seguiu quase todas as orientações que recebeu desde então da EMATER e de outros especialistas que ouviu pelo Mundo afora. Resistiu a algumas poucas. Ele foi contra da sede da fazenda, que acabou restaurada. O curral teve de ser todo reconstruído.

O carro chefe que move quase todas as demais atividades produtivas da Fazenda Paraíso dos Profetas é a pecuária leiteira. São atualmente 50 cabeças de gado Girolando ¾. Para chegar ao atual estágio, o auxílio da Prefeitura e do escritório da EMATER em

Congonhas foi essencial, segundo o próprio fazendeiro.  “Como nunca havia trabalhado na roça, percebi que tinha de aprender primeiro. Há como fazer melhor do que as outras gerações faziam, com aplicação do conhecimento científico. Então, a melhor coisa que fiz, em 2006, foi procurar, primeiro, orientações da EMATER. Se eu tivesse comprado vaca, cavalo antes de tudo, não teria nem como alimentá-los. Gastamos 3 anos criando toda infraestrutura, a começar pela casa, que estava toda infestada de cupim. Depois, testamos praticamente todas as raças e fomos selecionando de acordo com resistência a berne, carrapato, adaptação a capins. Cada avanço desse leva tempo”, admite.

Interessada em recuperar a pastagem, a Fazenda sediou, 3 anos depois de sua aquisição pelo novo proprietário, um dia de campo, coordenado pelo assessor técnico da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, Marcini Araújo Ulhoa, especialista em combate a formigas. Participaram do encontro escritórios da Emater e sitiantes de Congonhas, Ouro Branco e Conselheiro Lafaiete.

Em seguida, o extensionista da EMATER Congonhas, Paulo Humberto Rosa, entrou em contato com colegas da Regional da empresa em Sete Lagoas, especialistas em integração lavoura/pecuária (consórcio da pastagem e outro cultivo, como o milho). “Outro produtor rural de Congonhas, Alberto Luiz de Paula (Betinho), adquiriu uma máquina de plantio direto, que dispensa arado e grade, e realizou aqui na Fazenda Paraíso dos Profetas a primeira experiência do gênero em Congonhas. Foram misturadas cinco espécies de capim e, o que se adaptasse melhor ao clima, seria mantido. O vencedor foi o Brachiaria MG 5, que resistiu melhor na parte superior do terreno. Nas baixadas, prevaleceu a campim Tifton.  Após a colheita do milho, a pastagem já estava implantada”, lembra Paulo Rosa.

Mas o cuidado com a produção de alimento pro gado não parou por aí. A EMAPIG, de Sete Lagoas, havia buscado 12 variedades de cana na região de Piracicaba, no interior de São Paulo, fez testes em Minas, sendo que somente 5 destas foram aprovadas. “Íamos plantar cana em seis propriedades de Congonhas para que essas espécies se espalhassem na região mais rápido. Mas um incêndio no viveiro da EPAMIG nos obrigou a plantar somente na fazenda do Zé Afonso, no Pequeri, e na do Wagner. Muitos produtores que possuem, hoje, a cana geneticamente melhorada conseguiram mudas dessas que trouxemos. Outros interessados  devem trocar com a EPAMIG um saco do adubo 20.05.20, para que ela siga melhorando as mudas, por uma tonelada de cana geneticamente modificada”, explica o extensionista da EMATER.

Como defensor da preservação do meio ambiente, o fazendeiro havia sido aconselhado por um vizinho a retirar a mata acima da plantação, com o que ele não concordou também. A vegetação nativa é essencial e grande responsável pela manutenção dos mananciais, insetos que realizam a polinização, entre tantos outros fatores que contribuem para que se chegue a um modelo de propriedade autossustentável.

Nesta fazenda localizada no Distrito do Alto Maranhão, que possui área de 27 hectares, o gado fica a maior parte do tempo nos seis hectares de pasto. Confinamento nem pensar. Segundo o proprietário, a explicação está na necessidade de se obter leite de alta qualidade para o laticínio, o que evita inclusive doenças, como a mastite. Ele vai ao curral somente para fazer a complementação alimentar. A produção diária gira em torno de 150 a 200 litros de leite por dia, dependendo da oferta de pasto e silagem, que está condicionada ao maior ou menor volume de chuvas. Mas, segundo o produtor, esta produção tende a crescer com o melhoramento genético e treinamento de pessoal.

Para construção do estábulo, onde se trata do gado e se faz a ordenha das vacas, a fazenda contou com apoio do coordenador Estadual de Bovinicultura da EMATER, José Alberto de Ávila Pires, que colaborou também  com a formação das pastagens, a exemplo dos coordenadores da Regional de Sete Lagoas, Walfrido e Tarcísio.

Para tocar a pecuária e outras atividades, a fazenda conta com alguns colaboradores. Sergipano, erradicado em Adustina, na Bahia,  Antônio de Menezes de Jesus conquistou seu primeiro emprego em Congonhas, onde mora há 1 ano, indicado pelo primo Leandro, que cuida das galinhas e da horta. “Esta foi uma grande oportunidade. Gosto muito de trabalhar aqui, porque é tudo muito organizado, limpo, não conhecia este sistema de manejo do gado, que favorece a saúde do animal e garante a produção de um leite de qualidade, próprio para fazer os queijos. Um bom capim e silagem, que oferecemos ao gado,  favorecem a engorda do gado”, diz o retireiro, que tem ainda como outros colegas o caseiro Sr. Antônio, a esposa deste último Nica, o filho deste casal, Antônio, e Adriana, que trabalha no laticínio.

Interessado em saber cada vez mais sobre cada novo negócio que implementa na propriedade, o casal busca orientações onde for preciso, inclusive na América do Norte, Europa e Oceania. “Já fomos ao Canadá, Alemanha, França e Nova Zelândia. Neste último país, que é o modelo que pretendemos seguir no futuro, o sistema em fazendas leiteiras é o seguinte: 100% do gado em lactação e tudo criado a pasto também, enquanto aqui na fazenda temos 16 vacas produzindo leite das 50 cabeças existentes. Na Nova Zelândia, há a segmentação. Outros criadores se especializam na procriação, em bezerras e há um consórcio entre todos eles. Com isso, apesar de possuir dimensões territoriais muito inferiores às do Brasil, a produção de leite deles subiu de 2 bilhões de litros para 20 bilhões ao ano, dez vezes maior que a da do nosso País”, compara Wagner.

 

Derivados do leite

 

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Há 3 anos, quando o nível de organização da fazenda já era considerado pelo casal o necessário para novos saltos, marido e esposa partiram para a abertura de um laticínio. Este projeto foi desenvolvido pelo laticinista Kênio José Palha Montes, formado pelo Instituto Cândido Tostes de Juiz de Fora. A produção ainda é pequena, mas a expectativa é de que o mercado se abra em breve para  o queijo padrão e frescal, a mussarela, o iogurte com polpa natural e o doce de leite que fabricam, com a implementação do Sistema de Inspeção Regional (SIR), instituído pelo Consórcio Público para o Desenvolvimento do Alto Paraopeba (CODAP), presidido pelo Prefeitura Zelinho, ao qual Congonhas está aderindo. Por determinação do Ministério da Agricultura,  a partir de 2020, produtos de origem animal inspecionados por consórcios públicos municipais que aderirem ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi-POA) poderão ser comercializados nos territórios das cidades integrantes do

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consórcio.

Após conseguir este selo, os empreendedores terão condições de ampliar alguns negócios da fazenda, como este. Segundo Heloísa Maria Pedrosa de Resende, que cuida do Laticínio Paraíso dos Profetas, a produção atual é limitada: “Temos conseguido entregar, a pouquíssimos estabelecimentos e a uma amiga que revende o produto em Belo Horizonte, 150 kg queijo Frescal de 900 gramas, 5 kg de mussarela, 20 potes de doce de leite de ½ quilo e 30 potes de manteiga de leite de 200 gramas por semana, além de 230 garrafas de ½ litro de iogurte com polpa natural a cada quinzena”.

Visão coletiva

Wagner diz que toda vez que precisou de outros serviços diretos da Prefeitura foi atendido, mas diz que, sempre que possível, abre mão para não prejudicar produtores que têm na produção agrícola sua principal fonte de renda. “Quando precisamos de calcário [cuja compra consorciada é coordenada pela Diretoria de Desenvolvimento Rural da Prefeitura, para garantir preços mais em conta para os agricultores], a Prefeitura já nos ajudou. Mas se eu puder não utilizar os serviços da Prefeitura para abrir espaço para outros, melhor. Como tenho caminhão e trator, prefiro agir assim. Mas como já disse, tudo o que fizemos aqui tem a participação da EMATER, que é conveniada com a Prefeitura”.

Secretário de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Tecnologia da Prefeitura de Congonhas, Christian Souza Costa afirma que “nosso esforço diário é para que projetos como esse surjam cada vez mais na nossa zona rural. Modelo de fixação do homem no campo e de geração de trabalho e renda”.

Ao ouvir a declaração de viva voz do proprietário, durante uma entrevista ao programa Minas Rural, da EMATER, que irá ao ar em breve pela Rede Minas, Rede Vida, TV Horizonte e canal do programa no Youtube, o diretor de Desenvolvimento Rural da Prefeitura, Wedson Gerra, afirmou: “É confortante ouvir de um produtor uma afirmação como essa. Se precisar da Prefeitura, sabe que pode contar com o serviço, como já o fez várias vezes; se não, não vai prejudicar outros que dependem desse apoio para garantir o sustento de suas famílias. O Wagner é um exemplo, ao assimilar com êxito tantas inovações, que poderão ser repetidas por outros sitiantes, e também por sua conduta diante de nossa comunidade rural”.

 

Água de sobra para peixes e hortaliças

 

Desde que a propriedade rural foi adquirida pelo atual dono, já foram construídas nove barraginhas, como apoio da EMATER. Um dos responsáveis por esta e outras melhorias na fazenda, o extensionista da Emater, Paulo Rosa, explica que “elas fazem a contenção das águas da chuva e abastecem o lençol freático. Com isso, as 25 nascentes, que haviam se esgotado há mais de 20 anos, reviveram. Foram retirados mais de 100 caminhões de barro desses locais, e esse material acabou aproveitado para construção de diques de proteção contra enxurradas. Agora, há produção de peixe e sobra água para hortaliças, como inhame, alface, cebolinha, couve entre outras, e o pomar”.

Peixe e galinha

Uma dessas lagoas recebeu um monge do lado externo, que é um sistema de controle do nível da água, também conhecido como ladrão. Neste caso, no processo de oxigenação da água, esta é retirada do fundo e a água nova entra pela superfície, o que mantém o nível de oxigenação alto e evita a mortandade de peixes. Isso evita também que se perca a ração, que é jogada na lâmina d’água.

Iniciada há 6 anos, a criação de tilápia, curimatã e matrinxã chega atualmente a casa de 2.800 unidades, divididas entre dois tanques. “Esta última, além de bem esportiva, faz a limpeza do que sobra da ração. É preciso tomar cuidado com traíra, que come o alevino das outras espécies. Acaba aparecendo também o cará. Quando a produção está grande, vendemos para o pesque-pague. Reformamos agora um tanque e colocamos nele 2.500 mil alevinos de tilápia e a novidade, o tambacú, que aceita mais a mudança de temperatura. Tentaremos a criação com gaiolas”, promete o proprietário.

Segundo afirma o diretor de Desenvolvimento Rural da Prefeitura, Wedson Guerra, baseado no resultado de outros adeptos da piscicultura no Município, as gaiolas proporcionam maior produtividade – em torno de 1.200 quilos por ano – e a retirada fácil dos peixes.

A fazenda também conta com criação de galinha da variedade Embrapa 51.  São 70 cabeças que produzem 40 ovos por dia. Em breve, será necessário renovar a criação, para evitar queda na produtividade.

 

Biodigestores

Em 2006, não tinha nem banheiro na sede. Somente uma fossa negra (buraco no solo em que se deposita o esgoto) na área externa da casa. Então o proprietário Wagner Henriques Xavier solicitou análise da água à COPASA, O que comprovou a contaminação por coliformes fecais, causada exatamente pela fossa negra. Isto ainda se repete em boa parte da área rural das cidades brasileiras. A solução para o tratamento da fossa negra e melhor utilização do esterco produzido pelo gado foi investir em dois biodigestores, que são indispensáveis quando se pensa em montar uma fazenda autossustentável.

“Então fizemos um poço semiartesiano e tratamos a água com cal virgem, cloro, até que, em 1 ano e meio, os coliformes fecais foram eliminados. Atualmente podemos beber água das nossas nascentes tranquilamente, graças a Deus! Para substituir a fossa negra, encontrei na internet um biodigestor do México. Os responsáveis pela fabricação me informaram que havia um representante deles no Brasil – Aqcualimp. Este era um sistema muito desconhecido no País, mas o instalamos. Ele trata 98% do esgoto sanitário nosso; tem um sumidouro que permite o plantio de bananeiras e chuchu, sendo que este último produz o ano inteiro; é autolimpante, não carece de caminhão limpa-fossa ou coisa do gênero. No período de seca, fizemos a limpeza, abrimos o registro, a matéria que restou do tratamento nós jogamos em uma caixa com um pouco de cloro, para eliminar alguma bactéria que resta e, uns 3 meses depois, o material está seco e pode ser utilizado como adubo”, detalha.

 

Mas a fazenda tem ainda outro biodigestor, de produção nacional, alimentado pelos excrementos do gado leiteiro. “Neste produzimos, o biofertilizante para as lavouras de cana-de-açúcar, milho, horta de verduras e legumes e para o pasto. Fizemos experiência e,  a olho nu, percebemos a diferença de qualidade. Faltou nele somente Super Fosfato Simples, que complementamos com 5 kg para cada 10 mil litros de biofertilizante. Com isso, vamos ver se conseguimos eliminar o uso de adubo químico. Como não tinha experiência no uso desse biodigestor, comprei um pequeno. Mas este sistema é modular, então, caso consiga aumentar a produção da fazenda, posso comprar só mais um balão e produzir maior volume de gás e adubo orgânico. O gás será destinado, em breve, ao laticínio, porque o leite precisa ser pasteurizado (com aquecimento e resfriamento). Limpamos este gás e deixamos somente o metano, o resultado é a ausência de cheiro, mosca e o chorume que poderia ir para o subsolo e contaminá-lo. A água quente da pasteurização do leite vai para a limpeza do sistema de ordenha das vacas”, diz Wagner, que também produz energia elétrica em outro empreendimento, transfere o excedente da produção para a rede da CEMIG e este crédito é utilizado para os gastos com eletrificação na fazenda. Em pouco tempo, Wagner espera não ter de comprar nenhuma energia”, diz.

Extensionista da EMATER há quarenta anos, com passagens por Esmeraldas, Coromandel, Abadia dos Dourados, Guimarânia, Carmópolis de Minas e há 18 anos na EMATER de Congonhas, Paulo Rosa garante: “Em lugar nenhum, eu vi iniciativas tão voltadas para a conservação do meio ambiente, como na Fazenda Paraíso dos Profetas. Ela serve como exemplo para todos os produtores rurais de Congonhas e região”.

Atualmente, este trabalho de apoio ao homem do campo desenvolvido por Prefeitura e EMATER pode ser visto para todo lado, como em Lobo Leite, na fazenda de Geraldo Martins, onde está sendo desenvolvido o cultivo de inhame, chuchu e mandioca; nos Monjolos, onde já começa a ser plantada mudas de pitaya, com mudas que vêm de Lagoa Santa; entre tantos outros exemplos.

Atuando em Congonhas desde 2001, o extensionista é testemunha do avanço do setor agrícola de Congonhas nas duas últimas décadas. Quando cheguei, havia somente dois tratores agrícolas pertencentes a produtores rurais. Como tem na mineração sua principal atividade econômica, o município dependia quase que totalmente do abastecimento de hortifrutigranjeiros da CEASA-MG e de outras cidades da região, como também do Rio de Janeiro e Espírito Santo. Então elaboramos projetos para aquisição de 16 tratores, 4 caminhões, 3 caminhonetes, utilizando crédito com juros baratos e de longo prazo para pagamento em até 10 anos. Cadastramos 182 propriedades rurais para implementação do Programa “Luz Para Todos”, que acabou beneficiando 80 propriedades, antes de ser extinto. Assim, foram criadas condições de utilização de tecnologias em qualquer tamanho das propriedades em diversos projetos, como os existentes da Fazenda do Wagner. Hoje Congonhas é auto-suficiente em várias produtos agrícolas, graças a este trabalho conjunto, desenvolvido entre a Diretoria de Desenvolvimento Rural da Prefeitura e a  EMATER”, conclui.

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