Ação cultural: Andarilhos vão abraçar Santuário do Bom Jesus do Bacalhau em Piranga

Os Andarilhos Queluzianos promovem amanhã pela manhã, dia 19, a tradicional caminhada que vai marcar a trajetória do grupo. Os caminhantes irão até o santuário do Bom Jesus do Bacalhau, no Distrito de Santo Antônio do Pirapetinga, em Piranga onde farão um abraço em torno da matriz do século XVIII. A intenção do grupo com ação cultural é despertar a comunidade regional e mineira como também as autoridades sobre a situação de deterioração deste rico patrimônio, um dos mais importantes de Minas. Apesar do esforço da comunidade pela preservação, a igreja necessita de uma intervenção imediata diante do processo de degradação com a estrutura comprometida, infiltrações, etc.

A igreja contem pinturas do Mestre Ataíde, um dos mais importantes pintores e mestres do barroco brasileiros, cuja família morava na localidade.  Outros pintores da escola do Mestre Aleijadinho deixaram suas pinceladas na igreja.

Andarilhos estarão presentes em Piranga amanhã como forma de mobilização e preservação do Santuário do Bacalhau/Reprodução

Dentro deste cenário histórico, religioso e natural, já o Santuário está envolvido em meio a mata e montanhas, os andarilhos querem contribuir, despertar, mobilizar e desencadear uma campanha de preservação deste patrimônio. Antes do início da caminhada, que percorrerá a estrada até a Piranga, os andarilhos vão visitar a igreja.

A caminhada termina na Praça Coronel Amantino onde os caminhantes serão recepcionados com um show e homenagens. A iniciativa coroa o espírito de vanguarda do grupo com suas intervenções sociais e culturais, valores que marcam a formação dos Andarilhos Queluzianos, guardião da história lafaietense e regional.

A riqueza do Santuário, citado pelo atual Secretário de Estado da Cultura, Ângelo Oswaldo, como um dos 30 tempos barrocos mais importantes do Brasil corre risco e a Igreja precisa urgente de preservação, reforma e restauro para se manter viva a cultura popular e riqueza deste patrimônio histórico que guarda grande parte da história de Minas e do Brasil.

Na última terça feira, dia 15, encerrou-se o 231º Jubileu do Bom Jesus de Bacalhau, evento que atrai anualmente milhares de romeiros e fiéis a localidade histórica.

Um pouco da história

Bacalhau é um local místico e mágico, situado em uma colina em meio a exuberante Mata Atlântica. No local ocorreu a última batalha campal da Guerra dos Emboabas, em 29 de novembro de 1708, na antiga estrada que ligava Piranga e os sertões do leste. A construção do Santuário de Bom Jesus, tombado pelo Instituto Patrimônio Histórico Artístico Nacional (IPHAN), em 1996, que levou vários anos para ser erguido. Através do Decreto Papal deu inicio oficial ao jubileu em 29/11/1786 e a partir de 1939 passou a ser comemorado entre 1º a 15 de agosto. O antigo distrito de Santo Antônio do Pirapetinga se originou a partir de 1700 quando a família dos sertanistas Cunha e Gagos começaram o avanço para chegar em Mariana e Ouro Preto, Sumidouro. A Capela Matriz de Santo Antônio do Bacalhau foi uma das primeiras de Minas. Nela foram batizados importantes pessoas da história mineira entre elas, a Matriarca Joaquina de Pompeu.

O pesquisador do Arquivo do Conhecimento Cláudio Manoel da Costa (ACCMC), Marcos Gomes, com sede em Piranga, faz um leitura das pinturas da igreja, carregadas de amplos significados, ligando os mestre barrocos a aos últimos momentos da Inconfidência Mineira. Bacalhau serviu de exílio ao Mestre Aleijadinho e seus oficiais, até quando ele partiu para a cidade de Rio Espera. Ali também observa-se a presença secreta de D. Pedro II e onde possuem as únicas madonas grávidas de Santa Maria Madalena.

Segundo Marcos, o nome Bacalhau, já que o nome original é Bom Jesus do Matosinhos, provém de um primeiros moradores Antonio Gonçalves .que tinha alcunha Antonio bacalhau. Reza a lenda que ele teria vários escravos e o bacalhau era o chicote que açoitava os negros. Também existe a versão do comércio de bacalhau na região. Marcos conta que o jubileu teve a origem na visita aos mortos na Fazenda Cutia, local onde aconteceu a última batalha campal dos emboabas x paulistas de Guarapiranga que marca as origens de Minas Gerais.

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